03 Maio 2018 - 11:59

Laudo de gravação periciada pela PF mostra diálogo em que jovem confessa ter matado Roberta Dias

Arquivo familiar
Roberta Dias foi assassinada em 11 de abril de 2012

Revolta, indignação e sede por Justiça! Esses são alguns dos sentimentos que nos últimos dias estão tomando conta dos penedenses. Isso porque um laudo elaborado pela Polícia Federal, após perícia em uma gravação, vazou nas redes sociais mostrando um diálogo entre duas pessoas, em que uma delas confessa ter matado a jovem Roberta Costa Dias em abril de 2012.

O documento, elaborado com base em um diálogo de quase 16 minutos, reproduz literalmente o que foi dito pelas partes no áudio que foi enviado pelo presidente do inquérito policial que investiga o caso, delegado Cícero Lima, ao setor técnico científico da Polícia Federal em Alagoas, ainda no ano de 2016.

Na gravação, um jovem identificado pela polícia como Karlo Bruno Pereira Tavares, que na época tinha 18 anos, conta detalhes de como cometeu o crime em companhia de Saulo Araújo, que era apontado como o pai do filho que Roberta Costa Dias estava esperando quando foi assassinada covardemente no dia 11 de abril de 2012, no terceiro mês de gestação.

Gravidez indesejada

Logo no início do diálogo, Karlo Bruno conta que cometeu o crime porque queria ajudar o amigo que, segundo ele, estava temendo a reação do pai ao saber que seria avô. E que a ideia inicial surgiu uns dois dias antes do cometimento do homicídio.

“Ele disse assim rapai tá grávida e tudo. Não sei o que, não sei o que. Eu tô arrombado se meu pai descobrir. Teve um dia, nesse meio, né, chegou a mãe dela [Roberta] na casa dele. Tinha uma galera da porra de menina na casa dele. Roberta tava no meio. Quando ela chegou, digo lasco. Aí ela perguntou: cadê sua mãe. Aí ele gaguejou. Eu acho que ela não tá não. Mas deixe eu ver aqui, aí a mãe dele já vinha saindo. Disse opa? Que foi? Já tá sabendo que a senhora vai ser vovó? Foi logo matando” (sic), disse o jovem na gravação, segundo o laudo da PF.

Posteriormente, Karlo Bruno explica o momento exato em que a trama começou a ser planejada. “Quando foi nouto dia, ele me procurou e disse: Bruninho, fu***. Eu disse oxe bicho que dé pra você dá pra mim. Ele disse, tem coragem, assim, assim, assado? Rapais, a gente faz. Coragem num falta não, pra fazer nada, não falta não. Agora é saber faze. Ai ele disse: Pronto, qualquer coisa eu falo com você. Ai eu tava no ponto oia, pra ir pro cursinho em Arapiraca aí ele chegou e disse: bora hoje? Aí eu já ligado digo, bora! E fomos pra casa dele” (sic), complementou.

Mais adiante, Karlo Bruno explica que após planejarem o crime, eles providenciaram a retirada do som da mala do carro que foi usado no sequestro da jovem e, logo em seguida, partiram para um terreno onde estava sendo construída uma casa da família do pai do filho que a vítima carregava em seu ventre. Nesse local, a gravação mostra que a dupla pegou uma pá, uma enxada e o fio de uma extensão, que mais tarde seria usado como a arma do homicídio.

Posteriormente, ainda segundo o que foi dito por Karlo Bruno na gravação, o mesmo entrou na mala do carro, um veículo Gol de cor preta, e ambos saíram ao encontro da vítima que, naquele fatídico dia, tinha ido fazer uma consulta pré-natal em um posto de saúde situado no bairro de Santa Luzia. Quando questionado, no diálogo, como o ‘namorado’ da jovem tinha feito para atrair a vítima, o indivíduo diz não saber o que foi dito para ela aceitar encontrar com o pai do filho que carregava.

“Eu disse pra ele, quando você parar deixa comigo. Ele disse: Bruninho paro onde mais ou menos? Bicho, tem que ser num canto longe. Eu disse: eu vou por aquele canto ali que quero entrar na Santa Amélia. Foi buscar ela e eu na mala. E ela entrou, não sei o quê, conversando com ele de safadeza. Ai quando eu senti o carro parar, dei aqui a volta logo assim na mão. Estiquei assim o fio, mai ou meno que eu sabia que dava pra garanti no pescoço dela e, nesse assento assim, no apoio de encostar a cabeça né. Vou logo botar, digo não, ói, vou devagazinho aqui ó. Quando tirei um poquinho, eu digo, tá, eu vou é ligero ai fui. Ela ainda olhou pra mim. Essa cena é a que fico mesmo aqui” (sic), declarou o jovem sem mostrar arrependimento.

Com o fio da extensão enlaçado em seu pescoço, Roberta Dias ainda teria implorado para viver e, garantido que se ficasse viva praticaria um aborto, mas não teve jeito. “E eu queria mais saber de nada. Larguei-lhe a volta aqui no pescoço, dei outro. E ele nervoso. Vamos soltar essa peste aí, eu digo, cê é doido, é? Você é doido, car***o não sei o que. Ai ele, não, não, vamos simbora, deixe esse cra*** ai. Eu digo: Homi, tenha calma. Só se ligue se vem alguém aí, que vira e mexe, ali tem uns vigias. E eu apertando no guarguelo. Ai demorou né, um pouquinho, uns cinco minutos, eu acho. E ela com os braços assim, se batendo” (sic), explicou.

O laudo da gravação mostrou também que, segundo o que foi dito pelo próprio Karlo Bruno, enquanto ele enforcava Roberta Dias, Saulo Araújo segurava em seus braços. No entanto, quando a vítima já estava sem forças, Bruno pediu que o comparsa fosse para o banco de trás e continuasse enforcando a jovem com o fio, enquanto ele assumia o controle do veículo.

“Acho que ali já era a morta. Não voltava mais não. Mas, eu pá garantir, eu queria um negócio garantido. Eu olhava assim pra ela e olhava pro Saulo. Ficou preto os olhos dela. Aquela frase que ela disse: Bruno, tenha calma, eu tiro. E aquela cena dos olhos pretos marcou” (sic), acrescentou, complementando que pouco tempo depois, eles decidiram deitar Roberta, já sem vida, no banco traseiro e começaram a pensar em um local para enterrar a jovem.

Plano macabro: arrancar dentes e cabelos da vítima

Por decisão de Karlo Bruno, a dupla seguiu em direção ao Pontal do Peba com o corpo da vítima. Ao chegar no local, os jovens encontraram a maré cheia e, por conta disso, decidiram seguir para uma outra área, mais próxima já da praia do município de Feliz Deserto.

Nessa parte do laudo, o diálogo chega a ser assustador. Karlo Bruno conta com riqueza de detalhes que antes de enterrar a jovem em uma cova feita por ele e seu cúmplice pensou em arrancar sua arcada dentária e seus cabelos para dificultar a identificação do cadáver, caso o mesmo fosse encontrado. Quando questionado se tinha ficado com a consciência pesada, Karlo Bruno declarou que sim. “Fiquei. Não pelo o que eu fiz. Assim, não na atitude de matar alguém. Mas da atitude de dizer que matei por uma besteira”, revelou no áudio transcrito pela PF.

Celular de Roberta Dias

Ainda no diálogo revelador, Karlo Bruno assume que foi ele quem jogou o celular da vítima dentro de um terreno de uma residência situada nas proximidades da Rodovia Engenheiro Joaquim Gonçalves, nas imediações do bairro de Santa Luzia, parte alta do município de Penedo.

Recompensa

Karlo Bruno é questionado também se chegou a receber algum valor para cometer o crime. Ele nega. Segundo o próprio, o homicídio foi cometido por amizade, apenas para ajudar Saulo Araújo. Ele disse ainda, antes de encerrar sua confissão, que não tinha interesse em se entregar e que, mesmo a polícia descobrindo a autoria do assassinato, assumiria tudo sozinho.

No entanto, a gravação dessa conversa reveladora chegou às mãos da polícia e o caso que, sem dúvida, foi de grande repercussão em todo o estado, finalmente foi esclarecido, mesmo ainda sem novas prisões terem sido efetuadas.

O que diz a polícia

A reportagem do portal de notícias aquiacontece.com.br, o maior e mais acessado do interior de Alagoas, manteve contato telefônico na tarde desta quarta-feira, 02 de maio, com o delegado Cícero Lima, buscando entender o que falta para o inquérito do caso Roberta Dias ser formalmente concluído.

Em poucas palavras, o delegado declarou que não iria comentar o caso e que só voltaria a falar sobre o assunto quando o inquérito fosse concluído. No entanto, não há prazo para conclusão das investigações, uma vez que novas diligências foram solicitadas recentemente e devem demandar muito tempo.

  

Prisão de inocentes

O laudo técnico da Polícia Federal revelou o passo-a-passo de uma trama macabra e não deixa dúvidas de que pessoas inocentes, entre elas os policiais civis Gledson Oliveira e Carlos Idalino, e o “Dido Som”, tiveram o direito à liberdade cerceado de forma injusta.

Além da exposição midiática, as pessoas que foram presas 16 meses após o crime tiveram que viver durante todos esses anos tendo que suportar olhares de quem ainda achava que elas teriam algum envolvimento no caso. Mas agora, todos podem voltar a andar de cabeça erguida.

Os policiais civis, que foram presos acusados de terem participado do sequestro e assassinato da jovem, ainda respondem a um processo administrativo na corregedoria. No entanto, com base em todas as informações presentes no laudo, eles esperam que o mesmo seja arquivado.

Além da acusação de ter participado do sequestro e assassinato da jovem, o policial civil Gledson Oliveira também foi preso por supostamente ter sido o autor do homicídio que vitimou Sérgio Bento, crime registrado em Penedo dias depois do desaparecimento de Roberta Dias e que teria sido praticado juntamente com Ubiratan Ferreira Batista.

Segundo o delegado Cícero Lima, a execução do homem que foi alvejado a tiros na porta de sua residência, no bairro de Santa Luzia, aconteceu porque ele supostamente tinha presenciado o sequestro da jovem. No entanto, tanto Gledson Oliveira, quanto Ubiratan Ferreira foram absolvidos, ou seja, considerados inocentes, pela Justiça, por não existirem provas que comprovassem a participação de ambos no caso.

A defesa do policial Carlos Idalino, o Cobal, como é mais conhecido, conversou com nossa redação. De acordo com o advogado Raimundo Palmeira, com esse laudo fica definitivamente comprovada a inocência de seu cliente que, segundo ele, vem passando todo esse tempo pela angústia de sofrer uma acusação infundada.

“No caso do Idalino já existiam provas incontestes de sua inocência. Inclusive solicitamos, na época, que fossem checadas suas declarações e de alguns colegas dele de que no momento do sequestro da vítima ele se encontrava na delegacia de Feliz Deserto, lavrando, inclusive, um Boletim de Ocorrência. A pessoa que fizera o BO confirmou e o sistema cujo acesso é pessoal aponta que efetivamente tal BO estava sendo lavrado por ele naquele momento”, comentou Palmeira, ressaltando que Idalino sempre foi um policial eficaz e correto.

“Não sei porque este laudo ainda não está anexado ao processo, pois é de suma importância”, complementou o advogado.

Família quer Justiça

Foi com muita perplexidade que a família de Roberta Dias teve acesso ao laudo, através das redes sociais. Agora, com os verdadeiros culpados já identificados, o que todos esperam é que os responsáveis pelo homicídio e ocultação de cadáver da jovem sejam presos para que possam pagar por seus atos e digam exatamente onde se encontram os restos mortais para que sejam sepultados dignamente.

Assim como muita gente em Penedo teve acesso ao laudo da Polícia Federal, nossa redação também. No entanto, como no documento cita o nome de pessoas que não tem envolvimento com o caso optamos por não publicá-lo.

Caso alguém que foi citado na matéria deseje fazer algum esclarecimento o espaço estará aberto, sem problema algum.

Veja o documento que comprova a existência do laudo:


 

por Redação

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  • Meire Que se faça a justiça é o que todos amigos esperamos
  • Indignada Eu pergunto? Que justiça é essa que mantem os assassinos em liberdade? Que poder é esse desses assassinos que pessoas foram assassinadas pq suspeitaram que viu o sequestro? Tudo estranho...
  • Penedense Acredito que ainda falta muito a ser elucidado, muitas mortes ao redor do desaparecimento de Roberta Dias, familiares da mesma foram executados, Bem como a execução do Sr Sergio Bento.... Acredito que tem outras pessoas envolvidas, só esses ureias secas não seriam responsáveis por tantos homicídios.
  • Penedense Ja diz o ditado: quem ver cara, n ver coracao. Tava no caminho certo,estudando em outra cidade, para tentar ser algo na vida e a pessoa se desvia e faz uma barbarie dessa. Enquanto isso, saullo anda em aracaju de corolla dos novos, igual playboy, como nao tivesse nada. Que paguem pelo q fizeram.
  • EDUARDO Perplexo
  • Jairo Parabéns a policia por elucidar o crime,mas também cadeia pra quem divulgou o documento em rede social,e o pior antes mesmo do inquérito finalizado.Esperamos que a justiça seja feita.
  • Maria Martha Martyres,a população penedense ,agradece por não desistir do Caso Roberta Dias, cobrando incansavelmente por justiça,n deixando ser esquecida. Representando voz do povo. Obrigada.
  • José Wilton Espero q esses desgraçados apodreçam na cadeia, para que aprendam q um crime desse de tamanha maldade com uma pessoa tão jovem quanto a Roberta
  • Lisandro Indignação é a palavra para o momento, acabei de lê a matéria e me pergunto, quando teremos uma justiça mais eficaz? Parabenizo os policiais que fizeram seu papel, mas vamos esperar que a justiça seja feita completamente.
  • Edi Edi E cadê o corpo? eles ja disseram onde enteram? Tem q achar o local para q a familia possa pelo menos vela os restos mortais e ter o direito de fazer um funeral
  • vera tem que botar fotos deles e também ir atrás deles pra dizerem o local exato do corpo pra pelo menos ter um enterro