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Luiz Paulo Reis Galvão

Luiz Paulo Reis Galvão

Médico Gastroenterologista e Endoscopista

Postado em 21/08/2019 07:00

O Xaxim e o Bicho Homem

Na varanda do apartamento uma Samambaia queixosa num jarro de barro. Angustiada querendo inchar suas raízes freiadas pelo vaso duro. Comprei 3 xaxins para ela. Xaxins são feitos de troncos de samambaias selvagens de grandes dimensões. Esses troncos são compostos de suas próprias raízes entrelaçadas. Eles são cortados, torneados e fatiados gerando os xaxins que a seguir são escavados e se transformam em jarros . Neles se coloca a terra e nela a mudinha de samambaia, cujas raízes vão se entrelaçando com as raízes da planta selvagem que morreu para gerar os xaxins. Na embalagem, tinha escrito sementeira Serra do Mar” – São Paulo Brasil.Um deles tinha um furo na embalagem, e estava úmido. Plantei uma muda em cada um. As mudas começaram a se desenvolver. No xaxim que viera úmido percebi um broto verde do lado de fora, diferente da que plantei . Ai entendi. Era um filhote da velha samambaia mãe, que morrera para gerar o xaxim lá na serra do mar. Como estava úmido e semi-aberto, possibilitou o nascimento do broto. Cortado, industrializado e transportado por tantos quilômetros, nascera da grande sabedoria da mãe natureza. Aquilo não era apenas um xaxim com um broto de samambaia, mas a prova da coerência do universo em seus milhares, milhões de anos de existência. A mesma coerência que promove o nascer e o por do sol sempre nas mesmas horas de acordo com as estações. Que faz o ciclos das marés e o nascer da lua em horários matematicamente previsíveis. A mesma coerência da força da gravidade que mantem os mares e oceanos sempre nos seus lugares, quando poderiam cobrir facilmente os continentes em poucos minutos.Quer o homem queira ou não mesmo detendo todos os avanços da tecnologia, uma castanha caída no solo gerará uma arvore frondosa que produzirá cajus exatamente iguais ao da castanha que o gerara. Tudo escrito no código genético com uma precisão matemática .A organização das abelhas no cortiço. O acasalamento, o mel, a leveza do vôo, a rainha, a hierarquia, a polinização , as flores, as folhas, a fotossíntese, o oxigênio que nos mantem vivos, tudo numa gigantesca harmonia de forças. Os animais que parem sozinhos seus filhotes, os limpam com a própria saliva, os amamenta e os defende de todo mal. Tudo isso posto fica a indagação. Por que o bicho homem, único dotado de inteligência superior é o único que fere e desafia essa grandiosa coerência universal? Em busca de objetivos “eunucos” tenta interferir no fluxo tranquilo do Universo, maculando a agua, a terra, o ar em troca de dinheiro, prestigio, e outras “comorbidades” . No parque vi formigas organizadas em filas carregando fragmentos de folhas para o formigueiro para prover o estoque de alimentos para a prole. São ordeiras, organizadas, coerentes, regulares e responsáveis. E são apenas formigas... O bicho homem se encastela no poder e na ostentação em atitudes discriminatórias para com o semelhante por razoes de cor, status social, e outras diferenças. Se encastelam no poder como representantes do povo e ai fraudam, traem, se apropriam, se locupletam, se aproveitam, maculam, machucam, destroem e roubam em detrimento da saúde, educação, segurança e felicidade dos que os conduziram ao poder. O homem honesto é tido com um fraco, tacanho e de pouca percepção. Acorda cedo, trabalha o dia inteiro, paga os impostos, respeita a faixa de pedestres, paga em dia a prestação do carro e o plano de saúde para o salvar quando adoecer já que o dinheiro da saúde publica foi desviado pelos cidadãos “inteligentes”, perspicazes e que “sabem realmente das coisas”. Ou seja, são apenas “Tolos honestos”.Já vem de longe segundo Luiz Gonzaga: “Furaram os olhos do Assum Preto, pra ele assim cantar melhor”. Já não pode mais voar por que está cego e canta mais, porque chora, pede socorro.Na praça em frente ao meu predio todo dia chegavam os pombos e as crianças que brincavam no parquinho davam miolo de pão e pipoca para eles, que alegremente comia e depois voavam felizes. Num domingo mais de 20 estavam mortos na praça. Um morador os envenenou porque poderiam eventualmente provocar doenças. As crianças choravam inconsoláveis. Deu jornal: 1.Atirador mata numa boite 56 pessoas que ele não conhecia. 2. Equipe do SAMU inclusive medico, recebe propina para aplicar medicação para piorar a situação do paciente, para justifificar sua remoção para UTI particular. Voltando a nossa varanda as duas samambaias cresceram num mesmo xaxim e num recanto do lado de fora , junto ao ar condicionado um Bem-te-Vi iniciou a construção de um ninho em um fim de tarde. Nele pôs os pequenos ovos que em pouco tempo eclodiram gerando filhotes. A mãe trazia alimentos ao amanhecer e no fim de tarde para aquelas pequenas criaturas que boquiabertas, esperavam o “socorro” materno. Também num fim de tarde, já maiores, voaram em família para construir novos ninhos por ai. Apenas um bando de pássaros a mais? Não, é a coerência monumental do universo. E o bicho homem continua por ai com sua arrogante prepotência pisoteando a natureza, a vida em troca da mais valia. Para onde irá? Em busca de que? Terá escolhido o destino dos dinossauros? A extinção? Vamos pensar. Pensar…Pensar…

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Alexandre Cedrim

Alexandre Cedrim

Administrador de Empresas e Consultor Organizacional

Postado em 07/08/2019 07:44

A (ir)responsabilidade social de alguns empresários

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A (ir)responsabilidade social de alguns empresários
Acidente envolvendo um catamarã em Maragogi

Quando aparece na mídia o recente acidente envolvendo um catamarã em Maragogi (AL), ficamos diante do dano que um empresário pode causar ao deixar para segundo plano a responsabilidade social, que toda empresa é obrigada a ter desde o início de seu funcionamento.

As empresas são criadas para atender as necessidades das pessoas, através da produção de bens e serviços, tendo a responsabilidade de atender a essa demanda com a qualidade e segurança desejada, descartando de imediato todo e qualquer produto ou serviço que tenha a mínima probabilidade de causar perdas aos seus usuários.

Mas, infelizmente, não é essa a praxe usual que observamos no nosso dia-a-dia. São inúmeras as reclamações formais e informais que tomamos conhecimento através de nossa rede de amizade, como também a quantidade exorbitante de ações judiciais promovidas pelas pessoas prejudicadas, que adquiriram algum produto ou serviço que além de não atenderem a suas especificações técnicas, lhes causaram danos físicos, financeiros ou de qualquer outra ordem.

Exemplificando em um horizonte temporal mais recente, temos na prestação de serviços os desmandos causados pela companhia aérea Avianca, abusos no uso excessivo de defensivos agrícolas na produção agrícola, na aplicação de antibióticos e aceleradores de engorda em animais destinados à alimentação das pessoas, ocorrências que já vem de algumas décadas atrás. Poderíamos enumerar irresponsabilidades de dirigentes de qualquer segmento empresarial, sem receio de cometer erro de informação.

Inúmeras são as causas destas irresponsabilidades provocadas por dirigentes, que vão deste o seus baixos índices de escolaridade até a prática recorrente de ações desonestas, tendo entre estes dois extremos inúmeros outros fatores intermediários desqualificáveis, que distorcem a finalidades para quais as empresas são criadas.

Mas voltemos ao acidente ocorrido em Maragogi (AL), de um lado, ainda de acordo com o conteúdo das diversas reportagens sobre a assunto, encontramos um proprietário da embarcação envolvida que age em plena consciência da ilegalidade e da imoralidade, respondendo a ações administrativas e judiciais, complementando tais condutas com a desinformação do aviso expedido por autoridade marítima dos perigos de navegação na área naquela oportunidade, aceitando assim os riscos fatais que poderiam causar as pessoas que adquirem os seus serviços.

Como já dito, as empresas são criadas para atender as necessidades sociais, seja em qualquer segmento, sendo que as privadas objetivam ganhos financeiros ao atender a essas necessidades de acordo com o livre mercado. É por esse motivo que são consideradas organizações sociais, com seus direitos e obrigações explícitos e implícitos, fazendo que os seus dirigentes assumam os efeitos causados pelos seus atos quanto aos prejuízos causados as pessoas que utilizam seus bens ou serviços.

No caso específico aqui tratado, o acidente ocorrido em Maragogi (AL), o dano causado e relatado pela mídia foca mais especificamente nas duas mortes ocorridas e os ferimentos físicos causados em várias outras pessoas, que de fato são mais pesarosos que os outros estragos que provavelmente ocorrerão.

Quanto aos prejuízos subjetivos que provavelmente virão a ocorrer, estes refletirão nas condições de vida e às vezes de sobrevivência de várias famílias, são os reflexos negativos da imagem de destino turístico que Alagoas conseguiu vem construindo há décadas, através da divulgação sistemática de suas belezas naturais, que alavanca a economia estadual.

O que podemos deduzir, como pano de fundo deste triste evento é que os efeitos causados pelos dirigentes envolvidos diretamente foram causados por incapacidade técnica ou incapacidade intelectual, pois bastaria, apenas, a exigência do certificado de funcionamento da empresa promotora do passeio de catamarã por parte da empresa de turismo. Esta simples decisão puniria diretamente o dirigente da empresa proprietária do catamarã, pois ela ficaria alijada de concorrer com suas similares que cumprem suas obrigações fiscais e morais, como principalmente, evitaria o nefasto acontecimento.

Devemos refletir sobre este cenário, pois qual será o número de empresários que não atentam para a responsabilidade social das organizações que administram? Pela amplitude dos órgãos fiscalizadores podemos ter uma ideia inicial da quantidade, que poderá ser reduzida, caso os empresários responsáveis ao invés de criticarem o amparado de fiscalização dirijam suas críticas e comentários aos seus pares que não cumprem o que devem cumprir.
 

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Alexandre Cedrim

Alexandre Cedrim

Administrador de Empresas e Consultor Organizacional

Postado em 17/07/2019 07:53

O comportamento das organizações e as pessoas

A preocupação com as pessoas que trabalham em organizações, tenham elas finalidades lucrativas ou não, deve merecer uma atenção muito especial por seus dirigente, pois são elas que de fato produzem os resultados pretendidos, promovendo assim o crescimento que se espera em todo empreendimento realizado.

Porém a realidade da gestão de pessoas nas organizações está muito distante do mínimo aceitável, sendo que esta distância aumenta quanto menor for a instituição. Através de livros, artigos e reportagens em periódicos tomamos conhecimento como procedem as maiores empresas mundiais e quais são suas políticas com as pessoas que trabalham nelas.

Em nosso país também temos informações muito boas de como as empresas nacionais, independentemente da classificação de suas amplitudes, procedem no tratamento do seu pessoal. Anualmente, em várias revistas que tratam de negócios, publicam edições especiais sobre o assunto sob os mais diversificados títulos, mas que no final informa para o público interessado a prática das empresas que foram consideradas as melhores na gestão de pessoas.

No questionário para as empresas interessadas no certame encontram-se várias questões, mas algumas podem ser escolhidas com a intenção de analisar o quanto as empresas do nosso entorno estão defasadas no item de gestão de pessoas.

Quantas empresa com mais de cem funcionários tem em nossa cidade? Elas tem uma política formal e consistente de gestão de conhecimento, educação corporativa, liderança, reconhecimento e recompensa, participação e autonomia, gestão estratégica e objetivos? Simplificando nossa pergunta: Alguma destas empresas tem uma gerência de gestão de pessoas?

Se as médias e grandes empresas que tem em seus quadros dirigentes e funcionários com formação educacional de melhor qualidade, continuam desinformadas quanto as melhorias que uma política de gestão contemporânea de pessoas poderá lhes proporcionar, no universo das micro e pequenas empresas as pessoas, com raríssimas exceções, as pessoas ainda são tratadas apenas como recursos produtivos, que podem ser trocadas quando o dirigente entender que elas já não atendem o seu principal objetivo, o maior ganho possível.

Com a grande quantidade e qualidade das informações disponíveis na atualidade, como cursos presenciais ou a distância, livros, periódicos grupos de discursão congressos, workshops, para a formação de dirigentes e gerentes, fica difícil entender por que a grande maioria ainda administra utilizando os mesmos procedimentos do início do século passado, quando a orientação era para o nível operacional fazer e não pensar.

No acervo de publicações sobre gestão de pessoas, que é imenso, e no Brasil temos excelentes autores contemporâneos, observamos que as sugestões destes autores fundamentam-se no famoso discurso proferido por Douglas McGregor, na Quinta Convocação da Sloan School of Management, do MIT (Massachusetts Institute of Technology) em 1957, intitulado de O Lado Humano da Empresa, quando tratou da integração entre os objetivos individuais e os organizacionais. Posteriormente, em 1960, McGregor publicou seu único livro com o mesmo título, mas infelizmente conhecido apenas por pouquíssimos dirigentes empresariais.

McGregor sintetizou a sua argumentação na formulação da Teoria Y que defende: (1) as pessoas são esforçadas e gostam de ter o que fazer; (2) o trabalho é uma atividade tão natural como brincar ou descansar; (3) as pessoas procuram e aceitam responsabilidades e desafios; (4) as pessoas podem ser automotivadas e autodirigidas; e (5) as pessoas são criativas e competentes.

Como toda teoria deve ser praticada para sua real avaliação, qual a nossa percepção quando escutamos as pessoas falarem sobre o tratamento que recebem nas instituições que trabalham, McGregor estava certo ou o seu discurso foi mais uma nuvem de fumaça?
 

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Alexandre Cedrim

Alexandre Cedrim

Administrador de Empresas e Consultor Organizacional

Postado em 03/07/2019 09:04

O empreendedorismo na prática

A primeira premissa para uma pessoa ser um empreendedor de sucesso, em qualquer segmento, é o autoconhecimento de suas habilidades, a atividade ou atividades que admira e as disciplinas curriculares que teve bom desempenho. Este seria o mundo ideal. Mas como de ideal a nossa realidade não é para todos, vamos sair desta quimera e procurar enxergar a realidade existente em municípios com menos de cem mil habitantes, que tenha uma economia incipiente e sem uma política de desenvolvimento que contemple pelo menos os próximos dez anos.

Observa-se que uma maioria expressiva de novos empreendimentos, nestes municípios, pertence a pessoas que iniciam seus negócios sem a necessária observação das normas legais, procurando a legalização apenas quando alcançam um mínimo de sucesso, mas ainda com o futuro incerto. Esta prática sugere que, no geral, esses empreendedores, se podemos qualificar com tais, ainda não desenvolveram alguma sensibilidade para os negócios, pois não identificaram as melhores oportunidades locais para atuarem e são, infelizmente, desprovidos de qualquer tino financeiro.

E isto normalmente acontece indiferentemente da existência de órgãos que tem a finalidade e obrigação estatutária de prestar todas as informações e qualificações para quem tenha interesse de montar seu negócio próprio, como também a orientação da obrigatoriedade de procederem de acordo com a legislação que regula os pequenos negócios. Infelizmente estes órgãos não são previamente procurados como deveriam e apenas lembrados quando os negócios aparentam êxito e com finalidade de regularização fiscal.

Observa-se que os perfis destas pessoas que resolvem iniciar seus negócios por conta própria, levando-se em conta os segmentos em que passam a atuar, a maioria enquadra-se na figura do empreendedor artesão, pois possuem alguma habilidade técnica adquirida na prática, conhecimento rudimentar de gestão de negócios e principalmente, uma formação educacional deficiente. Estes empreendedores geralmente são as pessoas que trabalharam em oficinas mecânicas, em salões de beleza, em organizações comerciais, em restaurantes e bares que abriram seus negócios próprios porque foram demitidos e não visualizam uma nova contratação.

Na prática estes empreendedores estariam localizados entre os níveis 0 e 2 na escala proposta por Norman Smith, se utilizarmos seus critérios de continuidade entre o empreendedor artesão e o empreendedor oportunista, sendo que este tem educação superior suplementado por conhecimento em assuntos mais amplos (administração, economia, legislação, contabilidade) e na escala aqui proposta estaria localizado no nível10.

Quando observamos as pesquisas sobre as causas mais comuns de falhas nos negócios, especialmente em micro e pequenos, a causa mais significante e recorrente é relacionada a fatores financeiros e que gira em torno de 70%. Estes fatores são classificados em incompetência do empreendedor, falta de experiência no campo negocial, falta de experiência gerencial e experiência desequilibrada (desatualização técnica).

É difícil um empreendimento, de qualquer segmento industrial, comercial ou de serviços, prosperar se não observar a sua principal premissa que é preparação do capital necessário para a sua implementação. Vamos exemplificar com um caso hipotético: qual a probabilidade da abertura de um negócio empresarial quando a disponibilidade financeira do empreendedor se restringe apenas a indenização recebida pela sua demissão?

Em relação a maioria dos micros ou pequenos empreendimentos que deram certo em cidades com média de sessenta mil habitantes, comprovamos, por experiência própria, que seus proprietários estão mais próximos da classificação máxima da escala de Smith, mesmo que suas empresas tenham origem em “garagem” ou hobby, sendo que alguns já estão na segunda década de sucesso empresarial.

Isto não desclassifica, de maneira alguma, os empreendedores que iniciam no nível 0 da escala, desde que eles se conscientizem por si próprios ou por outrem, que navegar é preciso para alcançar o máximo necessário na escala para sair comemorando o sucesso futuro.
 

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Alexandre Cedrim

Alexandre Cedrim

Administrador de Empresas e Consultor Organizacional

Postado em 12/06/2019 09:00

FGTS – garantia do empregado e desalento do desempregado

Divulgação
FGTS – garantia do empregado e desalento do desempregado
O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, criado em 13.09.1966, substituiu a lei de estabilidade no emprego

O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, criado em 13.09.1966, substituiu a lei de estabilidade no emprego que era adquirida por todos os empregados após dez anos de serviços na mesma empresa. A legislação substituída previa que o empregado demitido, sem justa causa após 10 anos de efetivo serviço na empresa, teria direito a uma indenização monetária de dois salários por ano de serviço. Já o que não tinha 10 anos de serviço recebia a indenização de um salário por ano trabalhado.

Com instituição do FGTS o empregador ficou obrigado de depositar mensalmente, em conta individualizada de cada empregado, 8% (por cento) do salário pago, totalizando 104% (por cento), um pouco mais de um salário por ano. Esta nova legislação previa que, em caso de demissão sem justa causa, o empregador depositava na conta vinculada do demitido a multa de 10% (dez por cento) calculada sobre o saldo apresentado, para então ocorrer o saque.

A principal finalidade de ambas as leis é que o valor recebido pelo empregado demitido, sem justa causa, tenha uma reserva financeira para o seu sustento até que seja admitido em um novo emprego Esta forma de garantia ao empregado vinha funcionando regularmente e aceita pelos empregados e empregadores, até que a multa rescisória, foi elevada para 40%,(quarenta por cento,) provocando inúmeras reclamações dos empregadores que consideraram tal medida injusta e dispendiosa.

Com o decorrer do tempo, os empregadores se adequaram as novas normas e as reclamações diminuíram de intensidade, voltando as relações entre as partes envolvidas, governo, empregadores e empregados, â normalidade.

As regras do empregado que se aposentava, por tempo de serviço, continuaram vigorando sem modificações, As empresas desligavam os seus empregados aposentados na data da vigência de suas aposentadorias, ficando os mesmos facultados a sacar os recursos depositados em suas contas vinculadas ao FGTS, com rapidez e sem maiores burocracias.

As empresas interessadas em continuar contando com os serviços de alguns de seus empregados recém aposentados, realizavam novos contratos de trabalhos até que uma das partes resolvesse extingui-lo, tendo o aposentado demitido apenas o direito de sacar o seu novo saldo da conta vinculada ao FGTS.

Também proporcionava aos empregadores a oportunidade de oxigenarem suas empresas com pessoas mais jovens e mais preparadas para os cargos vagos, melhorando a produtividade, sem prejuízos para os que saiam, pois teriam os recursos de suas aposentadorias para os seus sustentos.

Esta normalidade foi interrompida quando a legislação considerou que o contrato do trabalhador, não seria mais extinto quando ocorresse a sua aposentadoria por tempo de serviço e caso ele continuasse no emprego teria o mesmo direito à indenização de 40% sobre o saldo de sua conta vinculada ao FGTS, caso não interesse ao empregador sua continuidade no emprego e queira dar oportunidade a outras pessoas.

Os idealizadores desta nova legislação devem ter acreditado que iriam beneficiar os trabalhadores que, por algum motivo, optassem em continuar trabalhando e assim somar a aposentadoria ao seu salário, deixando para um futuro ainda não definido, o saque do saldo de sua conta do FGTS.

Mas estas mentes iluminadas não previram que, ao beneficiar um grupo de empregados prejudicaram três segmentos, o segmento de empregadores que perderam as oportunidades de beneficiar suas empresas com melhoria de produtividade sem custos adicionais, o grupo de desempregados que foram privados das chances de disputarem as vagas que seriam criadas com as aposentadorias e o próprio governo que continuou sendo cobrado pelo índice renitente de desempregados no país.

No projeto da reforma da previdência, remetida à Câmara de Deputados, foi incluído um “jaboti” (jargão utilizado para item desconexo ao projeto), extinguindo esta anomalia, mas que foi retirado do projeto, na primeira reação contrária dos senhores deputados, Porém, como provavelmente quem tem ganha até cinco salários, dificilmente continuará no emprego ao se aposentar com a idade mínima de 65 anos, prevista na reforma e que deverá ser aprovada, as relações entre empresas, empregados e governo voltarão a ficar mais amenas, mas até quando ninguém palpita.
 

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