Martha Martyres

Martha Martyres

Radialista, diretora da rádio Penedo FM, âncora do jornalismo no Programa Lance Livre

Postado em 25/04/2016 15:24

Carta Aberta ao Amigo Tico Guerra

Nos últimos tempos, com tantas invasões, ameaças, mata-mata, etc..., tenho colocado minhas barbas (pelos) de molho.

Já diziam nossas mães que gato escaldado tem medo de água fria e eu penso que depois de tantas experiências no decorrer da minha profissão e dos encontros e desencontros dessa minha alma que tem por hábito bater em suas próprias costas e seguir caminhos opostos, um simples copo de água gelada já serve para acender o sinal de alerta.

Penso que já vivi muito, aliás, vivi tudo o que uma insurreita filha de Zé Vécio poderia viver, no entanto, não quero morrer. Claro que não! Gostaria mesmo de ficar vendo os séculos passarem e eu ali, na “rádia”, contando tudo, guardando nos meus arquivos que seriam, sempre, bem melhores do que a minha memória, mas, ali, firme, dando boas risadas e dizendo: - Eu não disse? Kkkkkkk

Mas, contudo, em face às circunstâncias e minha mortal impossibilidade de concretizar esse sonho, pensei em adiantar algumas providências e escolhi você porque, é óbvio, se não morrer com classe, quero pelo menos ser enterrada com pose. E ninguém melhor do que você para preparar um grande acontecimento.

Naturalmente que tenho alguns pedidos, digamos, advocatícios: preste assistência aos meus para regularizar tudo o que ficar pendente. Sei que você o fará pela amizade que temos e até porque como não vou deixar nenhuma riqueza, ninguém vai ter porque brigar. Se isso acontecer, seja por que motivo for, avise aos filhos da puta que eu voltarei para atazana-los!

Mas eu quero mesmo é falar do pós mortem. Primeiro, se eu morrer quando o Marcius e o Ronaldo estiverem na Prefeitura e eles mandarem “tomar todas as providências” para o meu sepultamento, não quero aquele caixão que cai o fundo. Dane-se o “auxílio-funeral”! Quero um caixão bonito, madeira escura, reluzente, com aqueles dourados todos que lembram os apetrechos utilizados pelo finado Zé Rabeca.

Não é do seu tempo, mas o enterro no carro do Zé Rabeca era um acontecimento, principalmente quando ele ía buscar algum falecido em Sergipe e voltava na balsa, imponente, com aquela águia dourada reluzente que parecia ter pousado atendendo a uma ordem dos céus, refletindo seu brilho nas águas do Velho Chico! A assistência na beira do cais poderia se comparar, facilmente, à chegada de Papai Noel! Zé Rabeca fez história em Penedo!

Mas, vamos lá! Primeiro, claro, o velório!

Não quero que me enterrem sem calcinha e sem sutiã. Escolham a minha melhor lingerie, meia, cinta-liga e um vestido de festa, afinal, não sei quem vou encontrar por aí e preciso estar preparada!

Façam uma maquiagem discreta, mas elegante, porque não quero estar pálida e muito menos com aquele algodão enfiado no meu nariz. Se alguém tiver a infeliz ideia, mande enfiar no...

Em relação às flores, favor não permitir que me cubram de flores. Aliás, você sabia que as flores são, literalmente, superficiais? Embaixo delas, para fazer volume, os “Arlindos” da vida, quer dizer, da morte, enfiam um monte de galhos. Agora pense na hora em que os galhos começam a se decompor e soltar aquela meleca verde! Vai sujar minha roupa de festa e envenenar os pobres vermes que terão, obrigatoriamente, que “digerir” meu corpinho e para isso, vão precisar estar em forma!

Não me coloquem na Igreja de São Benedito! Nada contra o Santo (aliás, sempre adorei um Negão alto, grande!), mas é que com aquele lixo em frente, na praça que nem Mário Jorge conseguiu erguer, apesar de levar o nome da tia Dida (Praça Nadyr Athayde), quem fica é o raio! Sou pobre, meu bem, mas sou limpinha!

Queria mesmo era ficar no saguão do Theatro 7 de Setembro!

Imagine a cena digna de uma artista: piso de mármore em preto e branco, cortinas pretas, grandes coroas de flores vermelhas por todos os lados, velas ardentes, as Deusas guardando imponentemente o monumento à arte, a Floriano Peixoto cheia de gente pobre chorando aos berros (tem gente que vai dizer que perdeu “mamãe”!, e gente rica e elegante, de salto alto, de óculos escuros...e ainda outros tantos esperando o momento de comemorar! E eu não ía nem querer sair de lá!

Antigamente, nos tempos do trio elétrico, eu prometi à minha neta que no meu cortejo haveria trio, banda e que poderia dançar. Foi a única forma que encontrei de fazê-la parar de chorar quando ela aprendeu na escola Jean Piaget que as pessoas, assim como os animais e as plantas, nascem, crescem, reproduzem ( o que eu fiz muito bem, diga-se de passagem!) e morrem.

Acontece que os trios elétricos já eram, saíram de moda e os que têm o som é uma peste!, portanto, nada de chamar o Ivan ou o Roseval. Estão liberados da fúnebre missão. Ah!, por favor, proíbam os paredões!

Só não abro mão da Banda da Musical Penedense e nem da Banda Marcial do Colégio Estadual, mas se puder acrescentar a matraca da Semana Santa na frente do cortejo, eu ía me divertir muito!!!! Adorava aqueles sons das procissões que Don Valério destruiu com sua mania de terminar as missas de madrugada e espantar as piedosas almas das celebrações.

Fogos! Quero muitos fogos, porque, afinal de contas, vai ter muita gente mesmo com vontade de festejar. Então aproveite a oportunidade e economize. Só precisam disciplinar o uso dos locais onde serão instaladas as girândolas, para depois não ficarem por aí dizendo que eu fui conivente com erros e omissa em relação ao cumprimento das normas legais.

Fico imaginando a cena na Avenida Getúlio Vargas no final da tarde de segunda-feira! Sim, porque morrer na sexta, no sábado ou no domingo e estragar o final de semana dos amigos não seria de bom alvitre! Segunda à tarde ninguém quer mesmo ir trabalhar, então seria um bom momento.

Na chegada ao Cemitério de São Gonçalo do Amarante (que espero até lá esteja tombado pelo Iphan), a praça Clementino do Monte e as ruas transversais estariam lotadas de curiosos e santos Tomés ( “só acredito que essa fia da peste morreu, vendo!”).

E então chega ao ápice, ao último ato! Caixão descido, terra jogada e, por favor, sejam rápidos! Se alguém inventar de fazer discurso, não permita. Avise que eu passei a vida falando para viver e quero morrer em paz! Silenciosamente! Depois do cortejo festivo e musical, é claro!

Posso contar com você?

Ah! E se eu morrer antes do Dr. Salles, que almeja um funeral nos moldes do funeral do Rei Arthur, não esqueça de que combinamos colocar Luisão sobre o Morro do Aracaré, vestido numa tanga e com a flecha flamejante para incendiar os paus de canela do cortejo rio abaixo!

Um cheiro grande!
Martha Mártyres
 

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Postado em 08/01/2016 16:31

Bom Jesus dos Navegantes

 No segundo domingo de janeiro, vamos acordar ao som dos acordes das Bandas de Pífano. É a festa do Bom Jesus dos Navegantes!

É dia de rever os parentes distantes, os amigos separados pelo cotidiano de cada vida.
É dia de reunir a família, de mesa farta, de cheiro de bolo quentinho, do sabor inigualável dos barquinhos de amendoim, dos rolete de cana, da paçoca, da roda gigante…

Dia de Festa do Bom Jesus dos Navegantes é dia de usar roupa nova e sapatos que, se fizerem calos, serão pendurados nos dedos, sem pudor e constrangimento porque o que vale é acompanhar a procissão terrestre e fluvial e pedir benção ao santo.

Quando as águas mornas do Rio São Francisco ainda dormem e a névoa da madrugada espalha seu esbranquiçado na moldura da paisagem, homens, mulheres e crianças se aboletam nas canoas enfeitadas com suas roupas de festa e o coração saltitando na garganta.

É hora de ir a Penedo e disputar, palmo a palmo, na multidão, todos os encantos que a cidade oferece.

Os ambulantes coloridos colocam á disposição dos fiéis os mais diversos produtos. Quer o óculos para se proteger do sol? Tem. Quer um terço para rezar e pedir proteção? Também tem! Quer um brinco, uma pulseira, uma canga de praia? O ambulante oferece. E se você não trouxe a comida, não se “avexe”. Tem macaxeira com carne do sol. Tem muqueca de peixe, camarão, jacaré, rabada e mocotó!

Os grupos folclóricos espalham-se, as rodas de Capoeira, ao som do berimbau, trazem gestos de um primitivo instinto de defesa, uma mistura de dança e luta para lembrar nossas origens e nossa força. No ar, há um odor azedo de suor, de cachaça e uma mistura das frutas da época.

Só quem nasceu por aqui é capaz de ver e sentir, de forma plena, o entusiasmo, a fé e a capacidade criadora do povo beradeiro nesse momento soberbo. É uma fé cheia de vitalidade e pureza!

Passam-se os anos, modificam-se as tradições, mas o povo do Baixo São Francisco, em sua plenitude, exalta a cada semana de janeiro o seu Bom Jesus dos Navegantes que em tudo manda e rege como também rege e manda nas águas do Velho Chico. A festa do Bom Jesus dos Navegantes o tempo não alterou e o progresso não arrefeceu.

Não pode haver espetáculo mais belo que esse desfile de dezenas de barcos acompanhando o cortejo. Das muradas da cidade, do cais, da beira do rio, das ilhas, de toda parte a população vai ver a procissão do santo protetor dos navegantes.

Durante todo o ano ele fica na Igreja de Santa Cruz, a pequena capela que foi edificada na comunidade no ano de 1818.

O escultor da imagem do Bom Jesus dos Navegantes, Cesário Procópio dos Mártyres, contava que no local da capela havia um terreiro onde se realizavam danças diabólicas. Certo dia, um garoto que assistia ao evento viu um homem que dançava com pés de cabra. Houve pânico na população e o terreiro foi destruído. Em seu lugar, foi edificada a atual capela que data do ano de 1907. É lá, no altar principal, que fica o Bom Jesus dos Navegantes.
Na segunda semana de janeiro a comunidade de Santa Cruz se transforma. É quando acontece o tríduo religioso, a quermesse, a festa.

No domingo à tarde, debaixo de um estrondoso espetáculo de fogos de artifício, o santo sai da igreja em seu andor ricamente decorado para “pegar a lancha”, como diz o homem da beira do rio. No percurso da igreja ao porto, o povo pára. Ergue os olhos para o Bom Jesus, pede sua benção, faz o sinal da cruz.

Os mais variados sons silenciam em respeito à passagem do santo. Os homens tiram os chapéus e se curvam em reverência, as mulheres põem a mão sobre o coração e pedem proteção para suas famílias.

Quando o andor com o santo vem se aproximando do porto, a multidão avança, corre para as balsas, os barcos, as lanchas. Entra na água e disputa entre gritos e empurrões, um espaço, o privilégio de entrar na embarcação que levará a imagem do Bom Jesus dos Navegantes.
Nada os detém. Nem a comissão, nem o prefeito, nem os sacerdotes, nem a polícia. Nada consegue manter a ordem desejada. É o delírio e a força da fé. Quem não consegue embarcar, chora, acena, desmaia, mas não arreda pé da rampa.

As embarcações apitam e começa a procissão. Velas brancas, azuis, vermelhas, multicoloridas se levantam para os céus e aos poucos o cortejo toma forma singrando serenamente as águas do rio.

Em seu barco, mão esquerda erguida abençoando os navegantes, o Bom Jesus comanda a festa.

Levantam-se os cânticos, toca a Banda de Música da Sociedade Musical Penedense. Nos barcos que acompanham a procissão, vez ou outra se aumenta o volume do axé, do samba, do brega. Ouvem-se pandeiros, cavaquinhos, violas, palmas. A fé e o desejo de saudar o Bom Jesus independe de gêneros musicais. Não há desrespeito. Há a certeza de que participando da procissão, Bom Jesus há de proteger!

Ele, que abriga os navegadores das tempestades, os pescadores dos perigos do Nego D´água e que, nos dias sinistros conduz a todos que foram pegos desprevenidos ao porto da salvação, compreende que o Pai deu a alegria ao homem para ele expressar seu agradecimento pela satisfação de estar vivo. E o povo faz chegar seu agradecimento a Deus pela música, pelas suas cantigas e pela sua alegria.

Ao longo do trajeto, nos fortes espalhados pelas margens do Velho Chico, Bom Jesus é saudado com foguetório e os barcos acionam suas sirenes. Enquanto isso, na rampa do porto de Penedo, na balaustrada, na Rocheira, o povo aguarda a chegada da procissão, do santo protetor.

O cortejo fluvial se aproxima, o sol vai-se escondendo através das montanhas sergipanas, as luzes se acendem, explodem os rojões e o povo começa a rezar.

“Livra-nos, Senhor dos Navegantes, das práticas políticas eleitoreiras, livra-nos do descaso, da falta de compromisso e dos falsos profetas. Livra-nos da fome, da sede e da seca que assola o homem barranqueiro do São Francisco pela falta de políticas públicas voltadas para o desenvolvimento do Vale do Rio da Integração Nacional. Livra-nos de um projeto de imposição de transferência de nossa água que ao invés de servir para matar a sede dos nossos irmãos e dos animais, como faria São Francisco, o Santo, vai servir de mote para discursos de campanha eleitoral objetivando a perpetuação no poder.”

É festa do Bom Jesus dos Navegantes. Vale à pena ver, ouvir, sentir, acompanhar a procissão ouvindo seus cânticos, rio afora, e ser abençoado pelo Bom Jesus que comanda seu povo, protege e resguarda.

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Postado em 23/07/2014 11:19

Um agradecimento pela vida!

Hoje, uma mensgem de agradecimento chegada à Rádio Penedo FM me emocionou e me fez refletir sobre a  os valores nos quais acreditamos e aplicamos no nosso cotidiano. Por isso, resolvi transcrever aqui, no meu Blog, essa mensagem de agradecimento pela vida enviada pela Solange Góes, uma mulher penedense que enfrentou a luta contra o câncer com muita coragem e dignidade.

Essa é a minha homenagem no seu anviersário de 50 anos! E os meus parabéns!

“Hoje, quero agradecer a Deus pelo maior presente que é a vida! Meio século, entre flores e espinhos e a difícil batalha de vencer o câncer.
Difícil não tanto pela enfermidade, mas pelas circunstâncias que se passaram ao meu redor naquele momento doloroso e sublime, dificultado pela ação de pessoas cruéis. Sublime porque Deus me deu a oportunidade de sair do meu quadrado e estar no meio dos enfermos e moribundos no Hospital João Alves, em Aracajú, onde tive festa das mães, missa, forró de São João e jogo da Copa do Mundo de 2006.
Lá não havia falsidade entre crianças, jovens, velhos, ricos ou pobres. Éramos todos um só, entre incertezas, lágrimas, medo e momentos de desabafo porque todos precisávamos de uma máquina de radioterapia para sobreviver. E a máquina não faz distinção de classes.
Ali senti que éramos todos anjos, despojados de nossos corpos em um único espírito e o próprio Jesus, em Seu espírito, voava sobre nós naqueles corredores brancos, onde pudemos sentir sua presença e viver uma experiência única, enxugando as lágrimas uns dos outros.
Foi nesse deserto onde encontrei com maior intensidade e intimidade a presença de Deus em minha vida. Da dor, tirei lições importantes, chamei por Ele como nas dores do parto e Ele me ouviu.
Quero agradecer pela vida. Por não ter morrido naquele momento. Pelas minhas filhas Suellem e Samara terem me presenteado com mais duas vidas, meus netos Gabriel e Matheus, por ter forças para perdoar as pessoas que me fizeram o mal, pedi perdão àquelas a quem machuquei e pedir bênçãos para as que me ajudaram e foram verdadeiros anjos em minha vida.
Sou feliz e agradeço pela vida e por mais um ano.”
Solange Góes

 

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Postado em 09/07/2014 11:20

Pátria amada, Brasil!

Ontem eu ouvi o pranto de uma nação. O cintilar de lágrimas que molhavam o verde da bandeira do Brasil desenhado nos rostos dos torcedores e que pareciam gotas de chuva derramando-se, sentidas, nas folhas das árvores em um final de tarde fria de inverno.
Ontem, eu vi a emoção nas bocas escancaradas que entoavam à capela o Hino Nacional e a comoção dos olhos estupefatos diante da inevitável derrota que calou os gritos de gols estrangulados na garganta e no peito e um povo.
Ontem, eu vi bandeiras moldando corpos encurvados e órfãos de uma seleção de futebol, em uma caminhada sem esperança.
Ontem, eu ouvi o silêncio e a tristeza entrarem, sorrateiramente, pela porta da frente e acomodarem-se confortavelmente ao meu lado no sofá em frente à tv.
Mas então eu vi um país. Eu vi o Brasil, esse Brasil que nós amamos e construímos. Nossa nação, nossa terra, nosso chão. Um país muito, mas muito mais diferente do que muitos, inúmeros países do mundo. Uma terra de oportunidades, de gente solidária e despretensiosa, capaz de receber e conviver com pessoas de todas as partes do mundo, de absorver culturas, de valorizar crenças em uma verdadeira tradução do que é a terra do sonho e da liberdade.
Eu vi um país que não se resume apenas ao futebol. Eu vi um país que está, neste exato momento, com uma seleção, disputando o Grande Slam de Judô na Rússia. Um país que tem o futebol como o esporte mais praticado, afinal são quase 31 milhões de brasileiros praticando futebol, mas temos 15,3 milhões praticando Vôlei, 12 milhões praticando Tênis de Mesa, 11 milhões praticando Natação, 10,7 milhões praticando Futsal, 6 milhões praticando Capoeira, 2,7 milhões praticando Skate, 2,4 milhões na prática do Surf, 2,2 milhões no Judô e 2,1 milhões no Atletismo, lembrando, ainda, que o Brasil vai sediar uma Olimpíada em 2016 e tem a única seleção do mundo cuja camisa ostenta cinco estrelas.

Então eu senti orgulho de um país que sedia uma Copa do Mundo e dentre 32 seleções, 32 países, encontra-se entre os 4 com melhor desempenho no Mundial.
Aí em vi uma seleção de 23 craques do Brasil. Eu vi Oswaldo Cruz, Vital Brasil, Santos Dumont, Cândido Rondon, Carlos Chagas, Deodoro da Fonseca, Zumbi dos Palmares, Maria Quitéria, José Bonifácio de Andrada e Silva, Ayrton Senna, Joaquim José da Silva Xavier, Luiz Alves de Lima e Silva, Chico Mendes, Adolfo Lutz, Roberto Landell de Moura, Joaquim Marques Lisboa, Emílio Ribas, Juscelino Kubitschek, Manoel Luiz Osório, Ana Néri, Anita Garibaldi, Tancredo Neves e Plácido de Castro, e senti orgulho desse país, e isso sem contar que vivemos em paz!
Lembrei do texto extraordinário sobre o Brasil, escrito por uma holandesa que traduz tão bem o que é ser brasileiro.
"Os brasileiros acham que o mundo todo presta, menos o Brasil, realmente parece que é um vício falar mal do Brasil. Todo lugar tem seus pontos positivos e negativos, mas no exterior eles maximizam os positivos, enquanto no Brasil se maximizam os negativos. Aqui na Holanda, os resultados das eleições demoram horrores porque não há nada automatizado. Só existe uma companhia telefônica e pasmem: Se você ligar reclamando do serviço, corre o risco de ter seu telefone temporariamente desconectado.
Nos Estados Unidos e na Europa, ninguém tem o hábito de enrolar o sanduíche em um guardanapo - ou de lavar as mãos antes de comer. Nas padarias, feiras e açougues europeus, os atendentes recebem o dinheiro e com mesma mão suja entregam o pão ou a carne.
Em Londres, existe um lugar famosíssimo que vende batatas fritas enroladas em folhas de jornal - e tem fila na porta.
Na Europa, não-fumante é minoria. Se pedir mesa de não-fumante, o garçom ri na sua cara, porque não existe. Fumam até em elevador.
Em Paris, os garçons são conhecidos por seu mau humor e grosseria e qualquer garçom de botequim no Brasil podia ir pra lá dar aulas de ‘Como conquistar o Cliente’.
Você sabe como as grandes potências fazem para destruir um povo? Impõem suas crenças e cultura. Se você parar para observar, em todo filme dos EUA a bandeira nacional aparece, e geralmente na hora em que estamos emotivos...
Vocês têm uma língua que, apesar de não se parecer quase nada com a língua portuguesa, é chamada de língua portuguesa, enquanto que as empresas de software a chamam de português brasileiro, porque não conseguem se comunicar com os seus usuários brasileiros através da língua Portuguesa. Os brasileiros são vitimas de vários crimes contra a pátria, crenças, cultura, língua, etc… Os brasileiros mais esclarecidos sabem que temos muitas razões para resgatar suas raízes culturais.
Os dados são da Antropos Consulting:
1. O Brasil é o país que tem tido maior sucesso no combate à AIDS e de outras doenças sexualmente transmissíveis, e vem sendo exemplo mundial.

2. O Brasil é o único país do hemisfério sul que está participando do Projeto Genoma.

3. Numa pesquisa envolvendo 50 cidades de diversos países, a cidade do Rio de Janeiro foi considerada a mais solidária.

4. Nas eleições de 2000, o sistema do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) estava informatizado em todas as regiões do Brasil, com resultados em menos de 24 horas depois do início das apurações. O modelo chamou a atenção de uma das maiores potências mundiais: os Estados Unidos, onde a apuração dos votos teve que ser refeita várias vezes, atrasando o resultado e colocando em xeque a credibilidade do processo.

5. Mesmo sendo um país em desenvolvimento, os internautas brasileiros representam uma fatia de 40% do mercado na América Latina.

6. No Brasil, há 14 fábricas de veículos instaladas e outras 4 se instalando, enquanto alguns países vizinhos não possuem nenhuma.

7. Das crianças e adolescentes entre 7 a 14 anos, 97,3% estão estudando.

8. O mercado de telefones celulares do Brasil é o segundo do mundo, com 650 mil novas habilitações a cada mês.

9. Telefonia fixa, o país ocupa a quinta posição em número de linhas instaladas..

10. Das empresas brasileiras, 6.890 possuem certificado de qualidade ISO-9000, maior número entre os países em desenvolvimento. No México, são apenas 300 empresas e 265 na Argentina.

11. O Brasil é o segundo maior mercado de jatos e helicópteros executivos.
Por que vocês têm esse vício de só falar mal do Brasil?
1. Por que não se orgulham em dizer que o mercado editorial de livros é maior do que o da Itália, com mais de 50 mil títulos novos a cada ano?

2. Que têm o mais moderno sistema bancário do planeta?

3. Que suas AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE ganham os melhores e maiores prêmios mundiais?

4. Por que não falam que são o país mais empreendedor do mundo e que mais de 70% dos brasileiros, pobres e ricos, dedicam considerável parte de seu tempo em trabalhos voluntários?

5. Por que não dizem que são hoje a terceira maior democracia do mundo?

6. Que apesar de todas as mazelas, o Congresso está punindo seus próprios membros, o que raramente ocorre em outros países ditos civilizados?

7. Por que não se lembram que o povo brasileiro é um povo hospitaleiro, que se esforça para falar a língua dos turistas, gesticula e não mede esforços para atendê-los bem? Por que não se orgulham de ser um povo que faz piada da própria desgraça e que enfrenta os desgostos sambando.
É! O Brasil é um país abençoado de fato. Bendito este povo, que possui a magia de unir todas as raças, de todos os credos. Bendito este povo, que sabe entender todos os sotaques. Bendito este povo, que oferece todos os tipos de climas para contentar toda gente. Bendita seja, querida pátria chamada BRASIL!"
Eu, sou brasileira.... com muito orgulho, com muito amooooorrr!!!!!!!!!!!!!!!!!
E você?
 

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Postado em 22/05/2014 15:37

Aqui se faz, aqui se recebe!

Às vezes acontecem algumas coisas em nossas vidas que nos obrigam a uma profunda e fértil reflexão sobre frases feitas, jargões, ditos e provérbios populares. Um deles é: “aqui se faz, aqui se paga (recebe)”.

E eu recebi a visita de uma pessoa da qual, sinceramente, não mais lembrava, para cumprimentar-me e agradecer por um episódio ocorrido no programa Lance Livre, anos atrás, na década de 90, quando evitamos, através da informação, que dezenas de pessoas fossem enganadas em sua boa fé.

À época, desmascaramos pessoas que estavam extorquindo pais e mães de família que perseguiam o sonho de uma vida melhor, através do desejado “pedaço de terra para plantar e colher”.

Vários penedenses haviam sido convencidos e até coagidos, a embarcar na aventura de fazer parte de grupos de pseudos “trabalhadores sem terra”, homens e mulheres, que abandonaram as famílias para juntar-se a outros, de várias partes do estado, na região norte.

Alguns meses depois estavam desencantados e famintos, desamparados e doentes, desesperados para voltar à velha e boa Penedo e ao seio de suas famílias. Foi nessa situação que o Programa Lance Livre os encontrou e providenciou o retorno através do apoio de seus patrocinadores e bons samaritanos penedenses.

Mas não foi tão simples assim. Houve quem entendesse que nós estávamos errados em desmascarar as pessoas que não tiveram escrúpulos em extorquir pais de família e desses “solidários com a picaretagem” cheguei a receber agressões e ameaças, ocasião em que contei com o apoio dos proprietários da emissora, dos colegas de trabalho, dos amigos e a intervenção do então ministro da justiça, Renan Calheiros.

Passados tantos anos, recebo um agradecimento que me emociona e me obriga a refletir novamente sobre a questão da tão propagada Reforma Agrária.

É inegável o estado de absoluta carência em que se encontra uma boa parte da população brasileira que ainda detém índices alarmantes de pobreza, analfabetismo e indigência social. São índices que persistem nesses trinta anos de militância no rádio e que, às vezes, me levam a esmorecer e desanimar.

Reconheço os avanços e tenho consciência de que esta não é apenas uma questão de governos, mas também da consciência de cada pessoa, de cada cidadão e da sociedade em seu conjunto.

Muitos estudiosos e analistas políticos e econômicos apontam a reforma agrária como uma das saídas para o Brasil. Outros, vão mais longe ainda e acham que só com a reforma agrária vai ser possível erradicar os efeitos mais perversos dessa pobreza marginal.

Concordo que é preciso dar terra a quem é da terra e não tem terra para cultivar, mas é preciso também, e não carece ser técnico pra saber, que é indispensável dar água, tecnologia, educação, saúde e segurança, ensinando também aquilo que algumas gerações parecem ter esquecido ou não lhes foi ensinado: a cada direito corresponde um dever.

Continuo não sendo favorável à distribuição de terra, de moradia, ou de qualquer outro bem para pessoas improdutivas que se intitulam de “trabalhadores sem isso ou aquilo” e transformam-se, em pouco tempo, em funcionários públicos do campo ou da cidade e que serão sempre sustentados pelo governo.

Continuo não sendo simpatizante das decisões que desapropriam terras produtivas, enquanto milhões de hectares adquiridos de forma ilícita, com dinheiro oriundo do tráfico, do roubo de dinheiro público (se não tivesse dinheiro sobrando na saúde, na educação, na segurança, na previdência... não roubavam!) continuam engordando o patrimônio de muitos.

A terra é um direito dos que tem vocação agrícola, assim como o emprego urbano é um direito de todo trabalhador. São questões que ainda persistem e que precisam ser enfrentadas com seriedade, honestidade e competência.

A questão é que as leis existem, mas os mecanismos de aplicação dessas leis são direcionados para proteger os ricos e poderosos, muitos dos quais não são, necessariamente, os que têm direito ou honra.

Valeu a visita e a lembrança. Eu e Luizão, através do meio de comunicação que representamos, fizemos a nossa parte. Cumprimos com o nosso dever.

O saudoso Don Constantino escreveu em uma das cartas que me enviou: “a santidade consiste em fazer o que é justo defender aqueles que não podem se defender por si só”.

Não somos santos nem demônios, apenas profissionais que têm uma história de vida e serviços prestados à nossa gente. E eu me orgulho disso!
 

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Postado em 11/02/2014 17:13

Quebrando o silêncio

Em uma cidade de exaltado espírito de lutas, de agressões, de barulhos e clamores, não é raro ver convertida a imprensa em arena de apaixonadas controvérsias e agitadas disputas.
Nenhum segmento tem logrado subtrair-se a essa predisposição tendenciosa dos ânimos que desejam resolver suas diferenças por meio de gritos agudos, de palavras estridentes, de insultos até, em vez da argumentação sólida, da doutrina estreita e inabalável da ética e das soluções criativas.

Não é lícito dar alimento ao que signifique divisão, desarmonia e discórdia, tampouco recorrer à busca de audiência e/ou acessos a qualquer preço, para censurar e reprimir ou recriminar o que, sem fundamento bastante sólido, parece-lhe errôneo ou criminoso.

Isso não quer dizer que a imprensa não deva exercer o direito à crítica a respeito de certas opiniões e posicionamentos, quando pareça oportuno ou necessário; porém, nesses casos, que se faça com moderação e responsabilidade. A opinião do profissional de imprensa deve ser o selo distintivo característico do bom senso, com o escrúpulo e o cuidado de quem sabe que, direta ou indiretamente, pode causar a exacerbação de um mal.

Pouco importaria e de nada serviria que tivéssemos muitos e poderosos contratos publicitários para a defesa de nossos ideais, se, em lugar de serem armas contra o sectarismo e a ignorância, os convertêssemos em instrumentos de combate uns contra os outros, desfazendo e deitando por terra, em breves instantes, o que com grande esforço e constância se edificou em anos e anos de persistente trabalho.

Os tempos atuais e as circunstâncias presentes não permitem que percamos nossas forças e energias em apaixonadas polêmicas, em lutas intestinais e acusações mútuas. Rodeados por todas as partes de ativos e vigilantes inimigos, daríamos provas de uma inconsciência inexprimível e de uma estupidez desconcertante.

Se não procurarmos unir os recursos e todos os nossos esforços, atividades e meios de combate contra o maior adversário que de perto nos acerca e nenhum esforço omite para o triunfo de sua causa, ou seja, o atraso, de que adiantará a nossa luta?

Estamos aquém no tempo e nas circunstâncias. Quando olhamos em volta nos deparamos com um significativo atraso civilizatório. Temos um desenvolvimento mal conduzido, sem planejamento e sem respeito aos recursos disponíveis, numa demonstração de expansão sem crescimento e sem perspectivas.

Ainda continuamos lamentando e melancolicamente relembrando o que Penedo já foi. Pois bem. Penedo já foi muita coisa, mas isso é passado. Cabe-nos, agora, construir o futuro e para isso precisamos agir agora, já, enquanto é tempo, porque o futuro é o presente em preparação.

Então precisamos crer e trabalhar para que a Distrito Industrial seja uma realidade e indústrias sejam implantadas, a ponte Penedo-Neópolis seja construída, o Pólo da universidade transforme-se rapidamente em Campus, o turismo torne-se viável com a requalificação do Centro Histórico e a recuperação e valorização do acervo histórico, arquitetônico, religioso e ecológico de que dispomos e todas as outras iniciativas, obras e, por que não?, sonhos, concretizem-se.

Alguns especialistas afirmam que essa construção somente é possível com os investimentos externos e que eles, os investimentos externos, perpetuam a situação de subdesenvolvimento porque vão para onde a mão de obra é mais barata e numerosa, onde os governos doam terrenos e oferecem renúncia de impostos e falam até mesmo em “legislação flexível”. E daí? Será que o nosso povo pobre e desempregado não é capaz de superar os seus próprios limites, qualificando-se? Será que é tão nocivo assim doar terrenos para que empresários gerem empregos? Ou pior seria deixar esses terrenos transformarem-se em invasões e redutos de atividades marginais?

A união faz a força. Mas não é do número e nem ainda da qualidade individual dos combatentes que depende o êxito final das batalhas, mas sim da coesão, da disciplina, da estreita missão dos que juntos, debaixo da mesma bandeira, pelejam em prol de um mesmo objetivo, ainda que tenham entendimentos diversos de suas convicções.

Temos argumentos, forças e prestígio consideráveis. A imprensa é animada, protegida, respeitada, considerada, mesmo pelos adversários fatigantes e sua voz na opinião pública, e seus escritos, podem influenciar na marcha dos destinos.

Triste coisa seria se essa influência se inutilizasse por sua própria culpa e, ao invés de manter-se à altura das circunstâncias, entrasse na contra mão das disputas improdutivas.
Suavizar asperezas, aplainar caminhos, facilitar soluções para essa tão desejada e necessária união em prol do crescimento da cidade de Penedo e da melhoria da qualidade de vida de seu povo é a missão que cabe àqueles que ultrapassaram a barreira do exibicionismo e da mediocridade comuns ao complexo de celebridade tão em voga e quão inútil.

Nenhum outro resultado pode ser mais grato, nem poderá proporcionar satisfação mais doce e estímulos mais nobres.
 

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Postado em 10/01/2014 12:09

Bom Jesus dos Navegantes

" No segundo domingo de janeiro, vamos acordar ao som dos acordes das Bandas de Pífano. É a festa do Bom Jesus dos Navegantes!

É dia de rever os parentes distantes, os amigos separados pelo cotidiano de cada vida.
É dia de reunir a família, de mesa farta, de cheiro de bolo quentinho, do sabor inigualável dos barquinhos de amendoim, dos rolete de cana, da paçoca, da roda gigante…


Dia de Festa do Bom Jesus dos Navegantes é dia de usar roupa nova e sapatos que, se fizerem calos, serão pendurados nos dedos, sem pudor e constrangimento porque o que vale é acompanhar a procissão terrestre e fluvial e pedir benção ao santo.


Quando as águas mornas do Rio São Francisco ainda dormem e a névoa da madrugada espalha seu esbranquiçado na moldura da paisagem, homens, mulheres e crianças se aboletam nas canoas enfeitadas com suas roupas de festa e o coração saltitando na garganta.

É hora de ir a Penedo e disputar, palmo a palmo, na multidão, todos os encantos que a cidade oferece.

Os ambulantes coloridos colocam á disposição dos fiéis os mais diversos produtos. Quer o óculos para se proteger do sol? Tem. Quer um terço para rezar e pedir proteção? Também tem! Quer um brinco, uma pulseira, uma canga de praia? O ambulante oferece. E se você não trouxe a comida, não se “avexe”. Tem macaxeira com carne do sol. Tem muqueca de peixe, camarão, jacaré, rabada e mocotó!

Os grupos folclóricos espalham-se, as rodas de Capoeira, ao som do berimbau, trazem gestos de um primitivo instinto de defesa, uma mistura de dança e luta para lembrar nossas origens e nossa força. No ar, há um odor azedo de suor, de cachaça e uma mistura das frutas da época.

Só quem nasceu por aqui é capaz de ver e sentir, de forma plena, o entusiasmo, a fé e a capacidade criadora do povo beradeiro nesse momento soberbo. É uma fé cheia de vitalidade e pureza!

Passam-se os anos, modificam-se as tradições, mas o povo do Baixo São Francisco, em sua plenitude, exalta a cada semana de janeiro o seu Bom Jesus dos Navegantes que em tudo manda e rege como também rege e manda nas águas do Velho Chico. A festa do Bom Jesus dos Navegantes o tempo não alterou e o progresso não arrefeceu.

Não pode haver espetáculo mais belo que esse desfile de dezenas de barcos acompanhando o cortejo. Das muradas da cidade, do cais, da beira do rio, das ilhas, de toda parte a população vai ver a procissão do santo protetor dos navegantes.

Durante todo o ano ele fica na Igreja de Santa Cruz, a pequena capela que foi edificada na comunidade no ano de 1818.

O escultor da imagem do Bom Jesus dos Navegantes, Cesário Procópio dos Mártyres, contava que no local da capela havia um terreiro onde se realizavam danças diabólicas. Certo dia, um garoto que assistia ao evento viu um homem que dançava com pés de cabra. Houve pânico na população e o terreiro foi destruído. Em seu lugar, foi edificada a atual capela que data do ano de 1907. É lá, no altar principal, que fica o Bom Jesus dos Navegantes.
Na segunda semana de janeiro a comunidade de Santa Cruz se transforma. É quando acontece o tríduo religioso, a quermesse, a festa.

No domingo à tarde, debaixo de um estrondoso espetáculo de fogos de artifício, o santo sai da igreja em seu andor ricamente decorado para “pegar a lancha”, como diz o homem da beira do rio. No percurso da igreja ao porto, o povo pára. Ergue os olhos para o Bom Jesus, pede sua benção, faz o sinal da cruz.

Os mais variados sons silenciam em respeito à passagem do santo. Os homens tiram os chapéus e se curvam em reverência, as mulheres põem a mão sobre o coração e pedem proteção para suas famílias.

Quando o andor com o santo vem se aproximando do porto, a multidão avança, corre para as balsas, os barcos, as lanchas. Entra na água e disputa entre gritos e empurrões, um espaço, o privilégio de entrar na embarcação que levará a imagem do Bom Jesus dos Navegantes.
Nada os detém. Nem a comissão, nem o prefeito, nem os sacerdotes, nem a polícia. Nada consegue manter a ordem desejada. É o delírio e a força da fé. Quem não consegue embarcar, chora, acena, desmaia, mas não arreda pé da rampa.

As embarcações apitam e começa a procissão. Velas brancas, azuis, vermelhas, multicoloridas se levantam para os céus e aos poucos o cortejo toma forma singrando serenamente as águas do rio.

Em seu barco, mão esquerda erguida abençoando os navegantes, o Bom Jesus comanda a festa.

Levantam-se os cânticos, toca a Banda de Música da Sociedade Musical Penedense. Nos barcos que acompanham a procissão, vez ou outra se aumenta o volume do axé, do samba, do brega. Ouvem-se pandeiros, cavaquinhos, violas, palmas. A fé e o desejo de saudar o Bom Jesus independe de gêneros musicais. Não há desrespeito. Há a certeza de que participando da procissão, Bom Jesus há de proteger!

Ele, que abriga os navegadores das tempestades, os pescadores dos perigos do Nego D´água e que, nos dias sinistros conduz a todos que foram pegos desprevenidos ao porto da salvação, compreende que o Pai deu a alegria ao homem para ele expressar seu agradecimento pela satisfação de estar vivo. E o povo faz chegar seu agradecimento a Deus pela música, pelas suas cantigas e pela sua alegria.

Ao longo do trajeto, nos fortes espalhados pelas margens do Velho Chico, Bom Jesus é saudado com foguetório e os barcos acionam suas sirenes. Enquanto isso, na rampa do porto de Penedo, na balaustrada, na Rocheira, o povo aguarda a chegada da procissão, do santo protetor.

O cortejo fluvial se aproxima, o sol vai-se escondendo através das montanhas sergipanas, as luzes se acendem, explodem os rojões e o povo começa a rezar.

“Livra-nos, Senhor dos Navegantes, das práticas políticas eleitoreiras, livra-nos do descaso, da falta de compromisso e dos falsos profetas. Livra-nos da fome, da sede e da seca que assola o homem barranqueiro do São Francisco pela falta de políticas públicas voltadas para o desenvolvimento do Vale do Rio da Integração Nacional. Livra-nos de um projeto de imposição de transferência de nossa água que ao invés de servir para matar a sede dos nossos irmãos e dos animais, como faria São Francisco, o Santo, vai servir de mote para discursos de campanha eleitoral objetivando a perpetuação no poder.”


É festa do Bom Jesus dos Navegantes. Vale à pena ver, ouvir, sentir, acompanhar a procissão ouvindo seus cânticos, rio afora, e ser abençoado pelo Bom Jesus que comanda seu povo, protege e resguarda."

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Postado em 08/11/2013 14:21

Homenagem a Dr. Hélio Lopes

Hoje quero homenagear o Dr. Hélio Lopes, em seus 91 anos. Um homem cuja história de vida se confunde com a história da cidade de Penedo pela relevância de seus feitos como político e pela prática da medicina em uma época em que o toque, a atenção e a sensibilidade do homem substituíam a precisão da máquina.

É motivador e impressionável a forma como as pessoas, tanto na cidade quanto no interior, da minha e de outras gerações, falam com carinho do Dr. Hélio. É comum ouvirmos frases como: “Dr. Hélio salvou a vida de meu filho”, “Dr. Hélio me tratou de doença tal”, “Dr. Hélio me ajudou e ajudou minha família”, acrescidas de histórias de vida e de sobrevivência.

A responsabilidade social que podemos decifrar nestas revelações, nos faz refletir sobre os conceitos e conflitos atuais da medicina e nos reportam, sobretudo, à importância do ser e do dever antes do ter e do trocar.

Dr. Hélio Lopes, como médico, foi também um grande benfeitor da saúde pública como diretor médico e provedor da Santa Casa de Misericórdia de Penedo por vários anos; Secretário de Estado da Saúde, quando pela primeira vez foi interiorizada a medicina com a colocação de médicos em todos os municípios e Presidente do Laboratório Industrial Farmacêutico de Alagoas - Lifal, na época em que este realmente produzia medicamentos para a população mais carente do estado.

Como político, prefeito de Penedo, promoveu o desenvolvimento com a instalação da companhia Telefônica, a eletrificação da cidade com energia vinda diretamente da hidrelétrica de Paulo Afonso, aterrou e urbanizou o Largo de Fátima e a Orla Fluvial, abriu a estrada Penedo-Pindorama, criou o SAAE – Serviço autônomo de Água e Esgoto, transferiu a Escola Normal Rural para o atual Comendador José da Silva Peixoto e instalou a Emissora Rio São Francisco, como algumas das destacadas obras de sua administração.

Como deputado estadual, representando Penedo e região, posso destacar a atuação de Dr. Hélio em todos os assuntos de interesse de nossa cidade. Em uma de suas mais significativas atuações como parlamentar, nos idos de 1983 e início de 1984, Hélio Lopes foi o grande mentor da luta travada por Alagoas para que a recém criada Diretoria da Codevasf em Alagoas, ficasse sediada em Penedo. Até então, a Codevasf era subordinada à Diretoria de Sergipe. Atuando em parceria com o então prefeito Raimundo Marinho, foram incontáveis as gestões em prol de nossa população.

Como parlamentar por três mandatos na Assembléia Legislativa de Alagoas, Hélio Nogueira Lopes é considerado, ainda hoje, uma “reserva moral da política do estado”.

Como penedense e colaboradora das empresas do Grupo Hélio Lopes, posso dar meu testemunho de como esse homem de uma simplicidade singular, íntegro, honrado e sobretudo amante dessa cidade, preocupa-se, principalmente, com as pessoas.

Dr. Hélio gosta de gente, gosta de conhecer o ser humano como indivíduo, com suas características e singularidades. E ele ama Penedo.

É esse amor que o faz, aos 91 anos, querer percorrer as suas ruas, encontrar novos caminhos, observar as crianças e a juventude conduzindo vida pelas suas artérias. Quer conhecer cada nova construção, relembrar cada pequeno acontecimento e perguntar diariamente: Como está Penedo?

Em seus 91 anos, deixo registrados aqui a imensurável admiração e o respeito que tenho por este homem que tem, em sua vida, a virtude de seguir, sem desvios, a direção indicada pelo senso de justiça e que fez da integridade, um dever cumprido.

Parabéns Dr. Hélio Lopes!

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Postado em 02/07/2013 12:16

José Vécio dos Mártyres – 100 anos

 

02 de julho de 1913. Em uma casa situada à Rua Joaquim Nabuco, nossa tradicional e conhecida Rua da Santa Cruz, nascia meu pai, José Vécio dos Mártyres.

02 de julho de 2013, cem anos depois, percorri, na manhã molhada pela neblina que cobre a cidade, a ruazinha palco de tantas lembranças da minha infância e da minha juventude.

Parei em frente à casa que hoje não guarda mais as características da época. Foi reformada. Assim como foram reformados tantos conceitos e valores que adquiri ao longo da vida.

Meu pai, José Vécio, Vécio, como ele fazia questão de ser chamado e “Dedéu” pelos familiares, foi um homem, no mínimo, controverso. Sua inteligência e sagacidade, seu talento artístico e sua vocação e sensibilidade para com a beleza, contrastavam com a aspereza da intolerância.
Meu pai era um homem capaz de se emocionar com o desabrochar uma rosa e de vibrar com uma gota de sangue. De cultivar uma semente até vê-la brotar e transformar-se em árvore, a abater uma ave em pleno voo pelo prazer da caça. Meu pai foi o soldado que contestou a ordem para matar um desertor em plena batalha na Revolução Constitucionalista de 32, na Serra da Mantiqueira, e foi o homem que me ensinou a abominar a covardia.

Meu pai foi o homem que construiu tantas obras importantes como a Casa de Detenção e a Ala dos Imigrantes do Museu do Ipiranga, em São Paulo; casas, praças, escolas, a urbanização da Rocheira e o Raimundinho, logradouros como a Gruta de Fátima e o Cristo do Oiteiro e não soube alicerçar de forma segura e resistente as famílias que construiu ao longo da vida. Amou muitas mulheres e tenho certeza, também foi muito amado, mas amou ainda mais a liberdade. E a liberdade....bem, a gente nem sempre sabe o que fazer com ela!

100 anos depois do seu nascimento, ainda não sei como traduzi-lo ou traduzir os sentimentos que ele me inspirou: admiração, orgulho e vontade de abraça-lo sempre se misturaram à raiva e um desejo incontido de contestá-lo, sempre!

Meu pai me ajudou a nascer e morreu em meus braços trinta anos depois. Vivo, hoje ele teria exatos cem anos. Morreu frágil, querendo me dizer alguma coisa. Algo que talvez eu não tenha conseguido ouvir nem entender naquele momento, mas que se agora pudesse traduzir talvez fosse: honre quem você é, de onde vem e para onde vai.

Em nome dos meus irmãos, legado e herança que ele me deixou, José Décio (in memoriam), Walter, Oswaldo, Neide (in memoriam), Elizabeth, Péricles, Peridriano, Lúcia (in memoriam), Iara, Thêmis e Maria José Vécio, transcrevo esse texto escrito pelo nosso querido amigo Benedito Fonseca, da Academia Penedense de Letras, Artes e Ciências.

"José Vécio dos Mártyres (Zé Vécio)


Só sabe o brilho da Praça de Esportes do Raimundinho, quem adentra por uma de suas vertentes para ver o brilhantismo ensolarado daquele logradouro.
Escolas e escolas foram projetadas e construídas.

Frei Damião, Deraldo Campos, Anfrisio Ribeiro e tantos outros aplaudiriam, se vivos estivessem, seus nomes apostos naquelas unidades do saber. Praças e praças como: Henrique Equelman, escolas e a fábrica de gelo bem como a construção do parque que não mais existe (Praças dos Bichos) Adail Freire Pereira. E a praça, hoje, transformada em Frei Camilo de Lellis, que ele afizera com as belas figuras do Império Romano.

Além de faixadas, construiu as mais belas residências como a casa de Carlos Hora, a casa de Leonardo Lima Mota e a de Geraldo Cavalcante.

Sua obra prima está na urbanização do Forte da Rocheira . Aproveitando a encosta transformou a Rocheira no que é. Tudo isso graças aos auspícios administrativos de Raimundo Marinho.
No seu tempo, pensou Penedo com a alma arquitetônica militar deste Penedense que nascera na Rua Joaquim Nabuco, á 02 de Julho de 1913 e morrera em 28 de Janeiro de 1988, nos braços de sua filha, esta impávida e colossal mulher Martha Mártyres. Filho de Cesário Procópio dos Mártyres e Josefa Maria dos Mártyres que veio a se chamar José Vécio dos Mártyres.

Ainda jovem, partira para o Sul na companhia de seu pai. Luneta de Ouro era o seu paradeiro.

Três anos depois (1931) regressa a Penedo. Nesse período rebenta a revolução constitucionalista de 32. O então militar, que era do 20 BC, é transferido e luta veemente e na Serra da Mantiqueira é ferido. Recuperado, torna-se arquiteto pelo Ministério da Guerra. No Rio de Janeiro constrói o prédio da II Região Militar. Em São Paulo a casa de Detenção (Carandiru) e a Ala dos Bandeirantes do Museu Paulista. ( anexado ao Museu do Ipiranga em 1963). Em 1938 deixa o Exército. Em 1948 retorna a Penedo para não mais voltar.

Penedo deve a este homem o seu amor pela terra. Quem adentra Penedo poucos sabem que, no “H”, está Fátima que ele construíra e esculpira belíssima imagem. Da rua São José avista-se uma Penedo diferente e do lagar do Bonfim ele o projetara com alma de quem olha a sua cidade com vistas ao medievo. Este é o retrato de um homem que amou suas cinco mulheres, cachaça da boa e a cidade que lhe viu nascer, José Vécio dos Mártyres."
 

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Postado em 08/04/2013 11:33

Reminicências do Colégio Imaculada Conceição Cem Anos de Histórias

Somos sete irmãos, sendo cinco mulheres. Em ordem cronológica decrescente: Tânia, Fátima (eu), Márcia, Telma e Betânia Brasil. Todas nós tivemos o privilégio de estudar no Colégio Imaculada Conceição, graças à garra dos nossos pais (Zenaide e Expedito) que trabalhavam com denodo para garantir à família uma vida digna, permitindo que as necessidades básicas fossem atendidas, especialmente a educação dos seus filhos.

Às vésperas das comemorações do centenário do Imaculada Conceição, estou vivendo momentos de grande expectativa, preparando-me para participar do grande evento, que me proporcionará momentos de fortes emoções.

O centenário colégio preparou para a vida, milhares e milhares de estudantes, através de um ensino de primeira qualidade e de uma formação geral integrada à grade curricular do estabelecimento. Sem dúvida, as jovens que estudaram no Imaculada puderam por em prática, no decorrer de suas vidas, os ensinamentos e os sábios conselhos das irmãs e demais professores.

Durante esses dias que antecedem minha viagem à Penedo, querida e inesquecível terra natal, minha mente se transformou numa tela de cinema, onde as cenas me fazem rememorar momentos felizes e alegres que passei no colégio, ao lado de queridas amigas e companheiras, que continuam presentes em meu coração.

Recordar o tempo em que estudava no Imaculada Conceição é enxergar o colégio e sentir a textura de suas paredes, suas salas de aula, seus corredores, pátios e demais dependências. Tudo isso povoado pelas colegas, professores e funcionários.

Voltando no tempo, lembro-me com muita clareza dos preparativos para os festejos do cinquentenário do Imaculada, dos quais participei ativamente e com muito entusiasmo. Agora, cinquenta anos depois, os preparativos são para as comemorações dos cem anos de existência do colégio, que continua sendo exemplo de qualidade e eficiência no cenário educacional de Alagoas, do Nordeste e do Brasil.

Para finalizar minhas reminiscências, presto uma homenagem, com muito amor e carinho, às queridas e inesquecíveis irmãs, que, ao longo desses cem anos, sempre abraçaram a causa da Educação com fervor, devotamento e altruísmo, e que agora as recordo com saudade, respeito e admiração.

Atualmente, resido em Salvador, Bahia. Sou casada com Júlio Arruda, tenho dois filhos (Marcos André e Rodrigo - minhas noras são Janaína e Leila, respectivamente) e dois netos (Guilherme e Vinicius).

Autora: FÁTIMA BRASIL – Aluna no período de 1957 a 1966.
Contato: [email protected]
 

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