João Pereira

João Pereira

Advogado, escritor e atento observador da política

Postado em 04/01/2018 11:02

PT: A Desgraça do Estado de Sergipe

Qual foi a tempestade que o fez sair dos trilhos? Como pode ter passado de águia que planava nas alturas, olhando para imensidão do universo, para se tornar um reles morcego de cabeça para baixo, com os olhos pregados na sarjeta? Atribuir a quem tamanha provação que o fez despencar do céu para o inferno que o tortura por todos os lados? O menor entre seus irmãos, era o orgulho dos sergipanos pela seriedade de sua administração, um crescimento equilibrado que o colocou, por décadas consecutivas, na posição de a maior renda per capta do Nordeste. Em sintonia com esta característica, o pacifismo fazia parte inerente de sua identidade. As ocorrências policiais, perto dos estados com os maiores índices de violência, eram insignificantes. A propósito, o mais curioso é que Alagoas onde resido, apesar de ser sergipano, beradeiro do São Francisco, que tinha a liderança e o caos generalizado, entregou o cetro a Sergipe, invejando-o pelo equilíbrio de suas finanças, em dia com seus compromissos, especialmente com o funcionalismo público. A barbárie tomou conta de Sergipe, tornou-se um verdadeiro matadouro de vidas humanas, horrivelmente trucidadas, chegando a estarrecer o mais insensível dos homens. Será que está liberada, antecipando-se a um provável e sombrio futuro, a caçada humana?

Qual a razão dessa guinada radical, dessa ebulição infernal que está a demonizar o pequeno Sergipe em sua perdição? Por mais que procure causas, não enxergo outra senão de origem político- filosófica. De uma filosofia morta e que não obstante a sua falência, retardados mentais cegos de uma realidade escancarada de seu fracasso, acreditam que defunto pode ressuscitar e fazer milagres. Naturalmente que estou a me referir ao socialismo, capitaneado pelo PT ou partido traidor, um blefe em sua trajetória de bonitas promessas emolduradas com o idealismo de regeneração dos nossos costumes políticos. Quanta pretensão!! Será que os petistas, hipotéticos honestos, viviam fora do Brasil, imunes à corrupção? Bastou que sentissem o gosto das facilidades para facilmente cederem às tentações para assaltar o dinheiro público. O eleitor sergipano, infelizmente, foi vítima de engano, ludibriado pelo canto da sereia, bonito, sem dúvida, mas desafinado e agorento.

A convicção do meu diagnóstico do agonizante Sergipe, basta que atentemos para o antes e depois do governo de Deda que, semelhante a uma perversa entidade surgida do mundo oculto, iniciou o desmanche de Sergipe. Desejando deixar um rastro positivo em sua passagem pelo governo, deu passadas além das possibilidades das pernas, extenuando-o por completo. É um comportamento típico do socialista que habituado a viver no mundo da fantasia, completamente divorciado da realidade, imagina ser possível distribuir a todos as benesses do estado. Ao assistir a derrubada do muro de Berlim, símbolo do desmoronamento do socialismo, Václav Ravel afirmou “ que o socialismo provou saber distribuir a riqueza mas não soube produzi-la, o oposto do capitalismo”. Quem não gostaria que isso fosse possível, dividir o bolo, mormente entre os mais desafortunados da sorte? O X do problema era dispor, e não dispunha, dos recursos para comprar os ingredientes para fazê-lo.

Não tendo concluído o mandato em virtude do seu falecimento, deixou para Sergipe um péssimo testamento de mendicância, negativo dado para sua biografia política. Não bastasse o catastrófico espólio, deixou como substituto seu vice, eleito e reeleito governador Jackson Barreto, abaixo da mediocridade, um autêntico canastrão a encenar o papel de um faz de conta que governa Sergipe. Cheguei a conhece-lo na faculdade de direito e o seu comportamento não tinha nada que o apontasse com ânimo para assumir, com garra e responsabilidade, a função que hoje exerce. Reeleito, o eleitor sergipano até parece ter sofrido, coletivamente, um transtorno mental que o impediu de perceber a evidência dos fatos que já o identificavam como um desastre. Se o ventilador não chegou a borrifa-lo com toda a merda recebida do Deda, não conseguiu, no entanto removê-la. O sergipano, horrorizado com a criminalidade, espezinhado o funcionalismo público, não vê, no fundo do túnel, uma luz que acene com um mínimo de otimismo e esperança, encachando-se como uma luva nas palavras de Mário Palmério, “está tudo parado, parado e morto”. Pode não ter sido uma regra, mais por onde passaram petistas pelo executivo, deixaram herança maldita dos cofres vazios.

Encontro-me bem próximo de Sergipe, tão perto que consigo sentir o péssimo odor que exala de seu pequeno corpo em decomposição. Felizmente, estou do lado de cá, numa Alagoas que soube dar o pulo do gato e não teve a desgraça de se deparar com um petista que outra coisa não teria feito, esquálida, depauperada e anêmica, que se encontrava senão enterrar seus restos mortais, como estar a fazer com Sergipe.
 

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